Alma Imoral

A atriz Clarice Niskier adaptou para o teatro o livro “A Alma Imoral” de Nilton Bonder, com o objetivo de mobilizar o pensamento e a emoção do espectador contemporâneo. “A Alma Imoral” desconstrói e reconstrói conceitos milenares da história da civilização. Conceitos de corpo e alma, certo e errado, traidor e traído, obediência e desobediência. É um espetáculo que tem como base histórias do Velho Testamento, parábolas de sabedoria judaica, além de informações históricas e científicas. O monólogo aproxima temas como religião e biologia. Mostra-nos que a consciência humana é formada desta descoberta fantástica de que nossa tarefa no mundo não é apenas a da procriação, mas nas condições certas a de transcender a nós mesmos. Essa necessidade de transcendência, muitas vezes vista como uma forma de “traição”, será sempre vital para a continuidade da espécie. Este é o conceito de alma: uma força “traidora” que traz o poder das instruções do futuro, colaborando com a evolução da espécie.

Enquanto as tradições trazem o poder das instruções do passado, colaborando com a reprodução da espécie. Manter a tensão e a dependência consciente entre essas duas grandes forças é o desafio do homem em suas relações pessoais e sociais. Manter em constante diálogo nossas forças conservadoras e transgressoras traz a possibilidade de vivermos num mundo menos violento, num mundo onde conflitos, medos e receios também existam, mas onde a tolerância ocupe um lugar privilegiado.